Opará não é tudo a mesma coisa: por que é necessário distinguir o Observatório das Políticas Afirmativas Raciais (Opará) da Associação Opará
Ana Luisa Araujo de Oliveira e Everton Cristian Rodrigues De Souza
Nos últimos meses, intensificou-se a circulação de informações que confundem duas iniciativas distintas que utilizam o nome “Opará” e atuam na pauta racial e de atuação antirracista. Trata-se de uma questão que demanda posicionamento firme e definitivo. É necessário afirmar, com precisão e responsabilidade, que o Observatório das Políticas Afirmativas Raciais (Opará) e a denominada Associação Opará são entidades distintas, sem qualquer vínculo institucional, jurídico ou organizacional.
O Observatório Opará é um grupo de pesquisa e extensão institucionalizado na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), com registro no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq (dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/4093936996976884). Sua atuação se fundamenta na produção de conhecimento científico, na elaboração de estudos técnicos e na incidência qualificada sobre políticas públicas de igualdade racial, orientada por rigor metodológico, responsabilidade institucional e compromisso com evidências.
A Associação Opará, por sua vez, constitui uma iniciativa autônoma, com estrutura e gestão próprias. Não integra a Univasf, não possui vínculo com o Observatório e não o representa sob qualquer forma.
A persistência na vinculação entre essas duas iniciativas produz efeitos concretos. Compromete a credibilidade do Observatório ao poder induzir atribuição de conteúdos, práticas e posicionamentos que não foram submetidos aos seus critérios acadêmicos e institucionais. Ao mesmo tempo também pode induzir instituições públicas, organizações parceiras e a sociedade a equívocos quanto à autoria de projetos, eventos e manifestações. E, sobretudo, fragiliza a transparência necessária em um campo sensível como o das políticas de igualdade racial.
Não se trata de disputa de espaço. Trata-se de integridade institucional.
Um grupo de pesquisa vinculado a uma universidade pública responde a normas, controles e responsabilidades que não se confundem com a atuação de uma associação independente. A sobreposição dessas naturezas distintas não apenas distorce a realidade, como pode comprometer a confiança pública construída a partir de trabalho acadêmico consistente.
A pluralidade de iniciativas no campo da luta antirracista é legítima e necessária. No entanto, essa pluralidade exige a preservação das identidades e o respeito às referências institucionais de cada organização.
É, portanto, imprescindível afirmar, de forma inequívoca, que o Observatório Opará não autoriza o uso de seu nome, identidade ou referência institucional por parte da Associação. Ao mesmo tempo, não reconhece qualquer relação de representatividade entre as duas iniciativas.
A referida Associação não se trata de continuidade do Observatório, mas sim de uma ruptura.
A manutenção dessa confusão gera distorções que prejudicam a percepção pública de ambas as iniciativas e pode levar a responsabilizações indevidas. Por essa razão, medidas cabíveis poderão ser adotadas para resguardar a identidade institucional do Observatório.
Em um cenário de disputas narrativas e fragilização do debate público, distinguir com precisão não é um detalhe formal. É uma condição para a preservação da credibilidade científica, da responsabilidade institucional e da própria qualidade das políticas públicas.