{"id":7484,"date":"2026-05-10T15:39:40","date_gmt":"2026-05-10T18:39:40","guid":{"rendered":"https:\/\/observatorioopara.com.br\/?p=7484"},"modified":"2026-05-10T15:42:00","modified_gmt":"2026-05-10T18:42:00","slug":"o-simposio-sobre-questao-racial-como-espaco-de-reparacao-ciencia-e-defesa-da-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatorioopara.com.br\/?p=7484","title":{"rendered":"O SIMP\u00d3SIO SOBRE QUEST\u00c3O RACIAL COMO ESPA\u00c7O DE REPARA\u00c7\u00c3O, CI\u00caNCIA E DEFESA DA DEMOCRACIA"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"7484\" class=\"elementor elementor-7484\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0da74f1 e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no e-con e-parent\" data-id=\"0da74f1\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d692660 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"d692660\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">O SIMP\u00d3SIO SOBRE QUEST\u00c3O RACIAL COMO ESPA\u00c7O DE REPARA\u00c7\u00c3O, CI\u00caNCIA E DEFESA DA DEMOCRACIA<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-436bbda elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"436bbda\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Por Ana Luisa Araujo de Oliveira<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-da97517 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"da97517\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"659\" height=\"690\" src=\"https:\/\/observatorioopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/462a558f-4c50-4235-9660-55b5aac19ca6.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-7486\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/observatorioopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/462a558f-4c50-4235-9660-55b5aac19ca6.jpg 659w, https:\/\/observatorioopara.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/462a558f-4c50-4235-9660-55b5aac19ca6-287x300.jpg 287w\" sizes=\"(max-width: 659px) 100vw, 659px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d9e4688 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d9e4688\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p align=\"justify\">Entre os dias 13 e 15 de maio de 2026, no Cineteatro da Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco (Univasf), em Petrolina-PE, pesquisadores\/as, estudantes, movimentos sociais, gestores\/as p\u00fablicos\/as e representantes da sociedade civil de diferentes regi\u00f5es do Brasil estar\u00e3o reunidos para o <i>2\u00ba Simp\u00f3sio sobre Quest\u00e3o Racial: A\u00e7\u00f5es Afirmativas, Repara\u00e7\u00e3o e Garantia de Direitos<\/i>.<\/p><p align=\"justify\">A escolha do dia 13 de maio para a abertura do Simp\u00f3sio possui significado pol\u00edtico e hist\u00f3rico. A data marca a assinatura da Lei \u00c1urea, em 1888, frequentemente apresentada como s\u00edmbolo da aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no Brasil. No entanto, a chamada \u201caboli\u00e7\u00e3o\u201d ocorreu sem qualquer pol\u00edtica de repara\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o econ\u00f4mica, acesso \u00e0 terra, educa\u00e7\u00e3o ou garantia de direitos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra rec\u00e9m-liberta. Mais de um s\u00e9culo depois, os impactos dessa exclus\u00e3o seguem estruturando as desigualdades brasileiras. Abrir o Simp\u00f3sio nesse contexto \u00e9 reafirmar que n\u00e3o h\u00e1 democracia plena sem repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e justi\u00e7a racial.<\/p><p align=\"justify\">Realizar o Simp\u00f3sio<i> <\/i>no Vale do S\u00e3o Francisco \u00e9 tamb\u00e9m afirmar que o debate sobre igualdade racial n\u00e3o pode permanecer restrito aos grandes centros pol\u00edticos e acad\u00eamicos do pa\u00eds. Produzir ci\u00eancia, formular pol\u00edticas p\u00fablicas e construir estrat\u00e9gias de enfrentamento ao racismo institucional tamb\u00e9m passa pelo fortalecimento das universidades p\u00fablicas do interior brasileiro e pelo reconhecimento das experi\u00eancias constru\u00eddas nos territ\u00f3rios historicamente invisibilizados.<\/p><p align=\"justify\">O Simp\u00f3sio nasce de um processo de ac\u00famulo pol\u00edtico, cient\u00edfico e institucional constru\u00eddo pelo Observat\u00f3rio das Pol\u00edticas Afirmativas Raciais (Observat\u00f3rio Opar\u00e1), grupo institucionalizado na Univasf, que, nos \u00faltimos anos, desenvolveu pesquisas baseadas em evid\u00eancias sobre a implementa\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 12.990\/2014, evidenciando que a exclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra do servi\u00e7o p\u00fablico federal n\u00e3o ocorreu por aus\u00eancia de legisla\u00e7\u00e3o, mas pela perman\u00eancia de pr\u00e1ticas institucionais que dificultaram (e at\u00e9 impediram) a efetividade da pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p><p align=\"justify\">Em 2025, realizamos o primeiro Simp\u00f3sio que reuniu cerca de 450 participantes de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds e consolidou-se como espa\u00e7o de articula\u00e7\u00e3o entre pesquisadores\/as, movimentos sociais, estudantes, juristas, gestores\/as p\u00fablicos\/as e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. Os encaminhamentos constru\u00eddos naquele encontro contribu\u00edram para fortalecer debates sobre repara\u00e7\u00e3o racial, subsidiar iniciativas administrativas e jur\u00eddicas e ampliar o controle social sobre a implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es afirmativas.<\/p><p align=\"justify\">Nesta segunda edi\u00e7\u00e3o, o Simp\u00f3sio amplia ainda mais esse debate. A programa\u00e7\u00e3o re\u00fane representantes do Minist\u00e9rio da Igualdade Racial, Minist\u00e9rio da Gest\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o, Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, Tribunal de Contas da Uni\u00e3o, Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, institui\u00e7\u00f5es federais e estaduais de ensino, movimentos negros, pesquisadores\/as e lideran\u00e7as para discutir temas centrais da agenda racial contempor\u00e2nea.<\/p><p align=\"justify\">Entre os temas debatidos est\u00e3o a implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es afirmativas no servi\u00e7o p\u00fablico federal, os desafios da judicializa\u00e7\u00e3o das cotas raciais, os impactos da Conven\u00e7\u00e3o Interamericana contra o Racismo no ordenamento jur\u00eddico brasileiro, as a\u00e7\u00f5es afirmativas no ensino superior, a educa\u00e7\u00e3o antirracista, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica negra e a representatividade pol\u00edtica da popula\u00e7\u00e3o negra nas elei\u00e7\u00f5es de 2026.<\/p><p align=\"justify\">A realiza\u00e7\u00e3o do Simp\u00f3sio tamb\u00e9m possui dimens\u00e3o simb\u00f3lica e hist\u00f3rica ao promover a outorga do t\u00edtulo de Doutor Honoris Causa a Frei David, fundador da Educafro Brasil. Mais do que uma homenagem individual, trata-se de reconhecer a contribui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do movimento negro para a democratiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o brasileira e afirmar que reparar trajet\u00f3rias invisibilizadas pelas institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m \u00e9 responsabilidade das universidades p\u00fablicas.<\/p><p align=\"justify\">Outro aspecto fundamental do evento \u00e9 a presen\u00e7a da arte afro-brasileira ao longo da programa\u00e7\u00e3o, reafirmando que ci\u00eancia, cultura, mem\u00f3ria e ancestralidade caminham juntas na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade antirracista. Al\u00e9m disso, a transmiss\u00e3o ao vivo pela TV Caatinga, TV universit\u00e1ria da Univasf, amplia o acesso p\u00fablico aos debates e fortalece o compromisso da universidade com a democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/p><p align=\"justify\">A presen\u00e7a de estudantes de ensino m\u00e9dio, gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, jovens pesquisadores\/as e participantes que ser\u00e3o diretamente beneficiados pelas pol\u00edticas de a\u00e7\u00f5es afirmativas no futuro tamb\u00e9m confere ao Simp\u00f3sio um sentido pedag\u00f3gico e geracional. S\u00e3o jovens que acompanham, vivenciam e ajudam a construir os debates sobre igualdade racial, perman\u00eancia estudantil, democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 universidade e inclus\u00e3o no servi\u00e7o p\u00fablico. Sua participa\u00e7\u00e3o reafirma que as a\u00e7\u00f5es afirmativas n\u00e3o dizem respeito apenas ao presente, mas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de futuros poss\u00edveis para a popula\u00e7\u00e3o negra brasileira.<\/p><p align=\"justify\">Ao final, o que move este Simp\u00f3sio n\u00e3o \u00e9 apenas a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica ou o debate institucional. \u00c9 a esperan\u00e7a de que as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es de jovens negros e negras possam acessar a universidade, o servi\u00e7o p\u00fablico, a ci\u00eancia e os espa\u00e7os de decis\u00e3o sem terem seus direitos negados ou suas trajet\u00f3rias interrompidas pelo racismo.<\/p><p align=\"justify\">Discutir repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica n\u00e3o \u00e9 olhar apenas para o passado. \u00c9 discutir quem continua tendo acesso negado aos direitos no presente. \u00c9 debater quais grupos permanecem sub-representados nas universidades, nos concursos p\u00fablicos, nos espa\u00e7os de decis\u00e3o e na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira. Por isso, defender a\u00e7\u00f5es afirmativas, promover repara\u00e7\u00e3o e garantir direitos s\u00e3o tarefas centrais para a consolida\u00e7\u00e3o da democracia no Brasil.<\/p><p align=\"justify\">Reunir estudantes, pesquisadores\/as, movimentos sociais, gestores\/as p\u00fablicos\/as e lideran\u00e7as negras em torno desse debate \u00e9 tamb\u00e9m um gesto de cuidado coletivo com o presente e com o futuro do Brasil. Em um pa\u00eds marcado por profundas desigualdades raciais, construir pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o significa reconhecer dores hist\u00f3ricas, mas tamb\u00e9m afirmar possibilidades concretas de transforma\u00e7\u00e3o, dignidade e pertencimento.<\/p><p align=\"justify\">Agradecemos \u00e0s institui\u00e7\u00f5es parceiras, aos movimentos sociais, \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, \u00e0s pesquisadoras e pesquisadores, \u00e0s estudantes e aos apoiadores que tornaram este encontro poss\u00edvel. A constru\u00e7\u00e3o coletiva deste Simp\u00f3sio reafirma que a luta antirracista se fortalece na articula\u00e7\u00e3o, na solidariedade e no compromisso compartilhado com a justi\u00e7a social.<\/p><p align=\"justify\">Que este encontro no Vale do S\u00e3o Francisco fortale\u00e7a redes, inspire novos caminhos e reafirme que a luta por igualdade racial continua sendo, acima de tudo, uma luta pela vida, pela mem\u00f3ria e pelo direito de sonhar.<\/p><p>___<\/p><p align=\"justify\"><b>Ana Luisa Araujo de Oliveira<\/b> \u00e9 coordenadora do Observat\u00f3rio das Pol\u00edticas Afirmativas Raciais (Observat\u00f3rio Opar\u00e1) e do Simp\u00f3sio sobre Quest\u00e3o Racial, pesquisadora e professora na Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco (Univasf).<\/p><p align=\"justify\"><br \/><br \/><\/p><p align=\"justify\">Podcast: <b>Vozes da Afirma\u00e7\u00e3o<\/b>. <i>Spotify<\/i>. Dispon\u00edvel em: <span style=\"color: #4c94d8;\"><u>https:\/\/open.spotify.com\/show\/623j8YA8b4n2F6LgTDMoly?si=74a8dfc8e0524c39<\/u><\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O SIMP\u00d3SIO SOBRE QUEST\u00c3O RACIAL COMO ESPA\u00c7O DE REPARA\u00c7\u00c3O, CI\u00caNCIA E DEFESA DA DEMOCRACIA Por Ana Luisa Araujo de Oliveira Entre os dias 13 e 15 de maio de 2026, no Cineteatro da Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco (Univasf), em Petrolina-PE, pesquisadores\/as, estudantes, movimentos sociais, gestores\/as p\u00fablicos\/as e representantes da sociedade civil de diferentes regi\u00f5es do Brasil estar\u00e3o reunidos para o 2\u00ba Simp\u00f3sio sobre Quest\u00e3o Racial: A\u00e7\u00f5es Afirmativas, Repara\u00e7\u00e3o e Garantia de Direitos. A escolha do dia 13 de maio para a abertura do Simp\u00f3sio possui significado pol\u00edtico e hist\u00f3rico. A data marca a assinatura da Lei \u00c1urea, em 1888, frequentemente apresentada como s\u00edmbolo da aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no Brasil. No entanto, a chamada \u201caboli\u00e7\u00e3o\u201d ocorreu sem qualquer pol\u00edtica de repara\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o econ\u00f4mica, acesso \u00e0 terra, educa\u00e7\u00e3o ou garantia de direitos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra rec\u00e9m-liberta. Mais de um s\u00e9culo depois, os impactos dessa exclus\u00e3o seguem estruturando as desigualdades brasileiras. Abrir o Simp\u00f3sio nesse contexto \u00e9 reafirmar que n\u00e3o h\u00e1 democracia plena sem repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e justi\u00e7a racial. Realizar o Simp\u00f3sio no Vale do S\u00e3o Francisco \u00e9 tamb\u00e9m afirmar que o debate sobre igualdade racial n\u00e3o pode permanecer restrito aos grandes centros pol\u00edticos e acad\u00eamicos do pa\u00eds. Produzir ci\u00eancia, formular pol\u00edticas p\u00fablicas e construir estrat\u00e9gias de enfrentamento ao racismo institucional tamb\u00e9m passa pelo fortalecimento das universidades p\u00fablicas do interior brasileiro e pelo reconhecimento das experi\u00eancias constru\u00eddas nos territ\u00f3rios historicamente invisibilizados. O Simp\u00f3sio nasce de um processo de ac\u00famulo pol\u00edtico, cient\u00edfico e institucional constru\u00eddo pelo Observat\u00f3rio das Pol\u00edticas Afirmativas Raciais (Observat\u00f3rio Opar\u00e1), grupo institucionalizado na Univasf, que, nos \u00faltimos anos, desenvolveu pesquisas baseadas em evid\u00eancias sobre a implementa\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 12.990\/2014, evidenciando que a exclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra do servi\u00e7o p\u00fablico federal n\u00e3o ocorreu por aus\u00eancia de legisla\u00e7\u00e3o, mas pela perman\u00eancia de pr\u00e1ticas institucionais que dificultaram (e at\u00e9 impediram) a efetividade da pol\u00edtica p\u00fablica. Em 2025, realizamos o primeiro Simp\u00f3sio que reuniu cerca de 450 participantes de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds e consolidou-se como espa\u00e7o de articula\u00e7\u00e3o entre pesquisadores\/as, movimentos sociais, estudantes, juristas, gestores\/as p\u00fablicos\/as e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. Os encaminhamentos constru\u00eddos naquele encontro contribu\u00edram para fortalecer debates sobre repara\u00e7\u00e3o racial, subsidiar iniciativas administrativas e jur\u00eddicas e ampliar o controle social sobre a implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es afirmativas. Nesta segunda edi\u00e7\u00e3o, o Simp\u00f3sio amplia ainda mais esse debate. A programa\u00e7\u00e3o re\u00fane representantes do Minist\u00e9rio da Igualdade Racial, Minist\u00e9rio da Gest\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o, Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, Tribunal de Contas da Uni\u00e3o, Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, institui\u00e7\u00f5es federais e estaduais de ensino, movimentos negros, pesquisadores\/as e lideran\u00e7as para discutir temas centrais da agenda racial contempor\u00e2nea. Entre os temas debatidos est\u00e3o a implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es afirmativas no servi\u00e7o p\u00fablico federal, os desafios da judicializa\u00e7\u00e3o das cotas raciais, os impactos da Conven\u00e7\u00e3o Interamericana contra o Racismo no ordenamento jur\u00eddico brasileiro, as a\u00e7\u00f5es afirmativas no ensino superior, a educa\u00e7\u00e3o antirracista, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica negra e a representatividade pol\u00edtica da popula\u00e7\u00e3o negra nas elei\u00e7\u00f5es de 2026. A realiza\u00e7\u00e3o do Simp\u00f3sio tamb\u00e9m possui dimens\u00e3o simb\u00f3lica e hist\u00f3rica ao promover a outorga do t\u00edtulo de Doutor Honoris Causa a Frei David, fundador da Educafro Brasil. Mais do que uma homenagem individual, trata-se de reconhecer a contribui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do movimento negro para a democratiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o brasileira e afirmar que reparar trajet\u00f3rias invisibilizadas pelas institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m \u00e9 responsabilidade das universidades p\u00fablicas. Outro aspecto fundamental do evento \u00e9 a presen\u00e7a da arte afro-brasileira ao longo da programa\u00e7\u00e3o, reafirmando que ci\u00eancia, cultura, mem\u00f3ria e ancestralidade caminham juntas na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade antirracista. Al\u00e9m disso, a transmiss\u00e3o ao vivo pela TV Caatinga, TV universit\u00e1ria da Univasf, amplia o acesso p\u00fablico aos debates e fortalece o compromisso da universidade com a democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento. A presen\u00e7a de estudantes de ensino m\u00e9dio, gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, jovens pesquisadores\/as e participantes que ser\u00e3o diretamente beneficiados pelas pol\u00edticas de a\u00e7\u00f5es afirmativas no futuro tamb\u00e9m confere ao Simp\u00f3sio um sentido pedag\u00f3gico e geracional. S\u00e3o jovens que acompanham, vivenciam e ajudam a construir os debates sobre igualdade racial, perman\u00eancia estudantil, democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 universidade e inclus\u00e3o no servi\u00e7o p\u00fablico. Sua participa\u00e7\u00e3o reafirma que as a\u00e7\u00f5es afirmativas n\u00e3o dizem respeito apenas ao presente, mas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de futuros poss\u00edveis para a popula\u00e7\u00e3o negra brasileira. Ao final, o que move este Simp\u00f3sio n\u00e3o \u00e9 apenas a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica ou o debate institucional. \u00c9 a esperan\u00e7a de que as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es de jovens negros e negras possam acessar a universidade, o servi\u00e7o p\u00fablico, a ci\u00eancia e os espa\u00e7os de decis\u00e3o sem terem seus direitos negados ou suas trajet\u00f3rias interrompidas pelo racismo. Discutir repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica n\u00e3o \u00e9 olhar apenas para o passado. \u00c9 discutir quem continua tendo acesso negado aos direitos no presente. \u00c9 debater quais grupos permanecem sub-representados nas universidades, nos concursos p\u00fablicos, nos espa\u00e7os de decis\u00e3o e na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira. Por isso, defender a\u00e7\u00f5es afirmativas, promover repara\u00e7\u00e3o e garantir direitos s\u00e3o tarefas centrais para a consolida\u00e7\u00e3o da democracia no Brasil. Reunir estudantes, pesquisadores\/as, movimentos sociais, gestores\/as p\u00fablicos\/as e lideran\u00e7as negras em torno desse debate \u00e9 tamb\u00e9m um gesto de cuidado coletivo com o presente e com o futuro do Brasil. Em um pa\u00eds marcado por profundas desigualdades raciais, construir pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o significa reconhecer dores hist\u00f3ricas, mas tamb\u00e9m afirmar possibilidades concretas de transforma\u00e7\u00e3o, dignidade e pertencimento. Agradecemos \u00e0s institui\u00e7\u00f5es parceiras, aos movimentos sociais, \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, \u00e0s pesquisadoras e pesquisadores, \u00e0s estudantes e aos apoiadores que tornaram este encontro poss\u00edvel. A constru\u00e7\u00e3o coletiva deste Simp\u00f3sio reafirma que a luta antirracista se fortalece na articula\u00e7\u00e3o, na solidariedade e no compromisso compartilhado com a justi\u00e7a social. Que este encontro no Vale do S\u00e3o Francisco fortale\u00e7a redes, inspire novos caminhos e reafirme que a luta por igualdade racial continua sendo, acima de tudo, uma luta pela vida, pela mem\u00f3ria e pelo direito de sonhar. ___ Ana Luisa Araujo de Oliveira \u00e9 coordenadora do Observat\u00f3rio das Pol\u00edticas Afirmativas Raciais (Observat\u00f3rio Opar\u00e1) e do Simp\u00f3sio sobre Quest\u00e3o Racial, pesquisadora e professora na Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco (Univasf). Podcast: Vozes da Afirma\u00e7\u00e3o. Spotify. 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